Produção de biometano cresce 75porcento e acelera investimentos

Expansão das plantas e nova regulamentação impulsionam mercado; tema será debatido no 13º Fórum do Biogás

Produção de biometano cresce 75porcento e acelera investimentos
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Imagem gerada por IA

A produção brasileira de biometano entrou em uma nova fase de expansão. Em 2025, a oferta do combustível renovável cresceu cerca de 75%, passando de 606,6 mil metros cúbicos por dia para 1,06 milhão de metros cúbicos diários, em um movimento impulsionado pela entrada de novas plantas, pelo avanço do marco regulatório e pela expectativa de aumento da demanda nos setores industrial e de transportes.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o país conta atualmente com 21 plantas autorizadas a comercializar biometano, somando capacidade instalada de aproximadamente 1,33 milhão de metros cúbicos normais por dia (Nm³/dia). Outros 48 empreendimentos estão em processo de autorização, o que poderá elevar a capacidade nacional para cerca de 3,37 milhões de Nm³/dia até 2028.

Segundo Josiani Napolitano, presidente-executiva da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o mercado começa a consolidar uma nova etapa de desenvolvimento. “O crescimento da produção e o número de projetos em desenvolvimento mostram que o combustível deixou de ser apenas uma promessa e passou a ocupar um espaço estratégico no mercado de energia.”

Lei do Combustível do Futuro

A expansão ocorre paralelamente à implementação do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, criado pela Lei do Combustível do Futuro.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu uma meta inicial de redução de 0,5% das emissões do mercado de gás natural por meio da incorporação do biometano à matriz energética. O percentual corresponde a uma demanda estimada de 181,7 milhões de metros cúbicos por ano, ou cerca de 504,8 mil metros cúbicos por dia.

Outro avanço recente foi a regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) pela ANP, instrumento que permitirá comprovar a origem renovável do combustível e será utilizado para o cumprimento das metas de descarbonização.

Na avaliação de Josiani Napolitano, o desafio agora deixa de ser regulatório e passa a ser operacional. “Em 2026, o setor passa da construção das regras para a implementação da política pública. A previsibilidade sobre certificação, tributação, infraestrutura, financiamento e contratação de longo prazo será determinante para a velocidade dos novos investimentos.”

Transporte será um dos focos

O avanço do biometano também amplia seu espaço no transporte de cargas e na mobilidade urbana, segmentos considerados estratégicos para a descarbonização.

Esses temas estarão entre os destaques do 13º Fórum do Biogás, promovido pela ABiogás nos dias 11 e 12 de agosto, no São Paulo Expo. O encontro reunirá representantes da ANP, do Ministério de Minas e Energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), governos estaduais, investidores, empresas e operadores do setor para discutir infraestrutura, logística, tributação, financiamento e novas aplicações do combustível renovável