De duas vacas a mil litros de leite por dia: família prospera na pecuária com apoio do Senar-Go

Em Caldas Novas, no Sul de Goiás, Vandecy Gonçalves encontrou na atividade leiteira uma oportunidade de gerar renda. Ao lado do filho, Gabriel, ele mudou o manejo, investiu em alimentação, reprodução e acompanhamento técnico e viu a propriedade crescer

De duas vacas a mil litros de leite por dia: família prospera na pecuária com apoio do Senar-Go
ilustrativa

A rotina começa cedo. Pai e filho dividem as tarefas e acompanham de perto um rebanho que atualmente reúne 83 animais. Desse total, 38 vacas estão em lactação, com produção média de 27 litros de leite por animal/dia. Quando começou, porém, a realidade era bem diferente.

“Aí nós tirava leite só para beber e fazer um queijinho. Aí um amigo nosso falou assim: você não está vendendo leite, não? Não, a vaca é só cinco litros, não tem jeito de vender. Não, eu estou tirando cinco litros e tenho três meninos e vendo dois e, no fim do mês, ainda dá para comprar o açúcar. Você pode vender seu leite que ajuda, quer tanto está ajudando. Aí eu peguei vender os cinco litros, achou bom, foi aumentando, aumentando, logo passou para 50, de 50 passou para 200 e agora hoje nós vendemos até mil”, conta Vandecy.

O crescimento da atividade também foi acompanhado pelo filho. Gabriel começou a ajudar na propriedade ainda criança, quando tinha 10 anos, e desde então passou a participar cada vez mais da rotina da produção.

“Eu lembro até hoje, eu ia passar bezerra na porteira pro meu pai. Aí fiquei uma semana passando. Aí a minha mãe falou: agora você vai amarrar a vaca. Comecei a amarrar a vaca e não estava dando conta. Aí meu pai falou: não, se você não amarrar a vaca não vai receber. Eu ganhava 50 reais por mês. No outro dia eu aprendi a amarrar as vacas”, detalha, descontraído, Gabriel Gonçalves, estudante.

Hoje estudante de Zootecnia, passou a aplicar na propriedade conhecimentos adquiridos durante a formação. Uma das primeiras mudanças foi perceber que o aumento da produção precisava vir acompanhado de controle dos custos e melhoria da eficiência. “Primeiramente eu vi que nós não estávamos ganhando dinheiro. A gente estava trabalhando, chegava no final do mês, zerado. Aí eu falei: não, os outros ganham, nós também temos que ganhar”, conta.

A partir daí, a família passou a investir em uma silagem de melhor qualidade e aprimorou o rebanho. O trabalho incluiu a utilização de touro registrado, inseminação artificial e divisão das vacas em lotes de acordo com a produção e a reprodução.

“A gente passou a fazer uma silagem de maior qualidade. Começou com touro registrado. As vacas começaram a melhorar e agora começou a inseminar e separar em lotes. O técnico de campo do Senar vem uma vez por mês para nos ajudar nas adaptações. A gente gira as vacas mais rápido na reprodução, vaca ficando pronta mais rápido, diminui o intervalo de parto, produz mais leite também”, explica Gabriel.

A assistência técnica e a capacitação também fazem parte desse processo. O acompanhamento realizado pelo Senar Goiás contribuiu para organizar as atividades e estabelecer metas para a propriedade.

“A gente faz um planejamento para essa propriedade a cada 12 meses, que vai desde o diagnóstico produtivo individualizado: o planejamento estratégico, a adequação tecnológica, a capacitação profissional, onde entram os cursos oferecidos pelo Senar. E depois a gente faz uma análise sistemática dos resultados. Dentro de todos esses ciclos, são elaboradas recomendações técnicas como, por exemplo, separar os animais em lotes de acordo com produção e reprodução, a construção do bezerreiro, a produção de volumoso para o período seco, que agora a gente vai caminhando para uma época onde o produtor já tem que começar a se preparar para a próxima safra. E, através dessas medidas, o produtor consegue alavancar seus resultados e conseguir rentabilidade”, explica Hygor Franco, técnico de campo do Senar Goiás.

Com as mudanças no manejo, a produção cresceu e os resultados da propriedade melhoraram. O trabalho também beneficia uma cadeia que vai além da porteira. O leite produzido por pequenos e médios pecuaristas movimenta transporte, processamento e chega aos laticínios da região, contribuindo para a geração de renda no campo e para o abastecimento do mercado local.

Atualmente, o preço do leite registra alta de cerca de 2,5%, e os produtores estão recebendo entre R$ 2,85 e R$ 3 por litro. Na propriedade de Vandecy, a mudança também representa uma história de sucessão familiar. O conhecimento adquirido pelo filho na formação em zootecnia passou a ser aplicado diretamente no negócio da família, enquanto o pai mantém a experiência adquirida ao longo dos anos.

“Tem que trabalhar, mas tem que estudar. A escola em primeiro lugar. Sem escola não tem jeito. Aqui é um colaborando com o outro, escutando as recomendações da assistência do Senar e assim a gente vai evoluindo cada vez mais”, finaliza Vandecy.

Comunicação Sistema Faeg/Senar