Qualidade dos grãos ganha peso no mercado e amplia investimentos em tecnologia no pós-colheita

Cooperativas reforçam monitoramento, secagem e armazenagem para preservar valor da produção; tema será debatido na Conferência Brasileira de Pós-Colheita

Qualidade dos grãos ganha peso no mercado e amplia investimentos em tecnologia no pós-colheita
ilustrativa

Produzir mais já não é suficiente para garantir rentabilidade no campo. Com a demanda crescente dos mercados nacional e internacional por grãos de maior qualidade, produtores e cooperativas têm intensificado investimentos em tecnologias de monitoramento, secagem e armazenagem para reduzir perdas após a colheita e preservar o valor da produção.

O movimento acompanha o avanço das exportações brasileiras. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deverá embarcar 86,08 milhões de toneladas de soja entre janeiro e julho deste ano, volume que representa cerca de metade da produção nacional estimada em 174,8 milhões de toneladas, conforme dados do IBGE.

Além do volume produzido, compradores internacionais têm exigido padrões cada vez mais rigorosos relacionados ao teor de proteína e óleo, uniformidade dos grãos, rastreabilidade, sustentabilidade e ausência de sementes quarentenárias ou contaminantes. Nesse cenário, falhas durante a secagem, o transporte ou o armazenamento podem comprometer a qualidade da carga e reduzir o valor recebido pelo produtor.

Para o coordenador da Unidade de Grãos da Frísia Cooperativa Agroindustrial, Alessandro Bueno, a preservação da qualidade começa ainda antes da colheita.

“O planejamento e o manejo correto na pré-colheita, aliados à secagem gradual e à aeração controlada no armazenamento, são fundamentais para manter a qualidade dos grãos. Um produto de alta qualidade pode perder valor rapidamente quando essas etapas não são conduzidas de forma adequada”, afirma.

Segundo ele, a cooperativa tem ampliado investimentos em secadores modernos e sistemas de monitoramento das unidades armazenadoras para oferecer maior segurança aos cooperados e preservar as características dos grãos até a comercialização.

A eficiência operacional também tem papel decisivo nesse processo. De acordo com Carlos Faria, coordenador de Operações de Grãos da Capal Cooperativa Agroindustrial, reduzir o tempo entre a chegada da carga e o armazenamento evita perdas de peso e qualidade.

“Quando a recepção é ágil, evitamos que cargas com alta umidade e impurezas permaneçam por muito tempo em caminhões ou moegas, ambientes favoráveis à deterioração dos grãos”, explica.

Outro ponto considerado estratégico é a classificação da produção logo no recebimento. Conforme Pâmela Ahlert, coordenadora de Qualidade da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, identificar o nível de umidade, impurezas e possíveis avarias permite definir a melhor estratégia para secagem e armazenagem.

Nos últimos anos, o uso de sistemas integrados de monitoramento também passou a fazer parte da rotina das cooperativas. A tecnologia permite acompanhar, em tempo real, as condições de cada silo, facilitando a tomada de decisões para preservar a qualidade da produção.

Debate sobre pós-colheita

Os desafios relacionados à qualidade dos grãos estarão entre os principais temas da 9ª Conferência Brasileira de Pós-Colheita, realizada entre 12 e 14 de agosto, em Carambeí (PR). Promovido pela Associação Brasileira de Pós-Colheita (ABRAPOS), em parceria com as cooperativas Capal, Frísia e Castrolanda, o evento reunirá especialistas para discutir tecnologias, gestão do armazenamento, inovação e estratégias para reduzir perdas ao longo da cadeia produtiva.