Fábrica de leite de cabra em pó no sertão da Paraíba realiza 1ª venda de R$ 6 mi

A primeira fábrica de leite de cabra em pó da Paraíba já tem a primeira compra garantida, de R$ 6 milhões.

Fábrica de leite de cabra em pó no sertão da Paraíba realiza 1ª venda de R$ 6 mi
ilustrativa

A primeira fábrica de leite de cabra em pó na Paraíba, criada a partir da ampliação de uma agroindústria mantida por agricultores familiares, em Casserengue, região semiárida do interior do estado, já tem compra garantida. Os governos estadual e federal vão destinar R$ 6 milhões para adquirir o novo produto, cuja fabricação está prevista para começar em setembro.

A compra será dividida igualmente, com R$ 3 milhões da Paraíba e R$ 3 milhões da União, e será feita pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra com Doação Simultânea. O leite comprado será destinado a famílias atendidas pelas políticas de segurança alimentar. “Vamos fazer agora a primeira compra de leite em pó”, afirmou a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Neide Nunes. Segundo ela, a nova produção amplia as possibilidades de geração de renda no campo e de abastecimento dos programas sociais.

A fábrica não parte do zero. No mesmo local, funciona desde junho de 2023 a Nutrilê, agroindústria construída pela Cooperativa de Produção Agropecuária do Curimataú Paraibano (Coopac), organização formada por agricultores da região. Ali já são produzidos leite de cabra, queijos e iogurtes. O leite em pó será a nova etapa dessa produção.

Fábrica de leite de cabra em pó no sertão da Paraíba realiza 1ª venda de R$ 6 mi

Do assentamento ao leite em pó

A história que levou à nova fábrica começou antes da inauguração da Nutrilê. A organização dos agricultores teve início em 2019 e foi formalizada como cooperativa em 2021. Naquele momento, cerca de 30 produtores buscavam uma forma de reunir a produção, beneficiar o leite e depender menos da venda individual. “Esse trabalho coletivo começou com 30 sócios cooperados, organizando a produção de leitequeijo e iogurte”, lembra o integrante da direção da Coopac Augusto Belarmino. 

 

Dois anos depois da formalização da Coopac, veio a agroindústria. Inaugurada em 2023, a Nutrilê permitiu que uma parte maior do leite caprino produzido pelas famílias deixasse de ser comercializada apenas como matéria-prima e passasse a sair de Casserengue na forma de derivados.

A base também cresceu. Dos cerca de 30 produtores do início, a Coopac passou para 390 associados produtores de leite de cabra, com captação em mais de 14 municípios. A cooperativa também entrou no mercado institucional e passou a fornecer iogurte caprino para a alimentação escolar em mais de 20 municípios.

O crescimento trouxe outro problema para resolver. O leite precisa ser vendido ou beneficiado rapidamente, enquanto a oferta varia ao longo do ano. Quanto maior a rede de produtores, maior também a necessidade de encontrar uma destinação para os períodos em que há leite em quantidade superior à capacidade de absorção do mercado de produtos frescos.

Foi daí que surgiu a aposta no leite de cabra em pó. Para Belarmino, a nova estrutura responde a uma demanda antiga dos criadores e poderá aumentar a capacidade de armazenamento da produção. “A fabricação de leite em pó permitirá ampliar a capacidade de armazenamento da produção”, afirmou.

Fábrica de leite de cabra em pó no sertão da Paraíba realiza 1ª venda de R$ 6 mi

Projeto pode alcançar 1,8 mil produtores

A ambição da cooperativa vai além das 390 famílias que hoje fazem parte de sua base. Belarmino estima que a fábrica possa beneficiar uma rede de mais de 1,8 mil produtores da Paraíba à medida que ganhar escala. A implantação da linha de leite de cabra em pó recebeu R$ 5,08 milhões em investimentos, reunindo recursos da própria cooperativa e dos governos estadual e federal. A Coopac entrou com R$ 1,5 milhão para a linha industrial e R$ 580 mil para a construção do prédio. Outros R$ 1,5 milhão vieram do Governo da Paraíba, e a União completou o investimento com mais R$ 1,5 milhão.

A mudança de escala é grande para uma cooperativa que comercializava cerca de 50 mil litros de leite por mês quando o projeto foi apresentado. A nova estrutura foi dimensionada para processar até 45 mil litros por dia, embora chegar a esse volume dependa da expansão gradual da produção e da rede de fornecedores.

leite em pó permite trabalhar com outra lógica. Parte do volume captado poderá ser industrializada e armazenada, reduzindo a necessidade de encontrar comprador imediatamente para todo o leite produzido. Para uma cadeia sujeita à sazonalidade, a mudança aumenta a possibilidade de continuar recebendo matéria-prima justamente nos períodos de maior oferta.

As informações são do Movimento Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.