Austrália confirma contágios de gripe aviária (H5N1) pela 1ª vez na história
A ministra federal da Agricultura confirmou a presença do vírus em aves selvagens; setor pecuário manifesta preocupação com possíveis contaminações da cepa H5 em rebanhos bovinos
O setor pecuário da Austrália está em alerta máximo após a confirmação, na sexta-feira (19/6), da existência de dois casos no país de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), informa o portal Beef Central (www.beefcentral.com).
É a primeira vez na história que o vírus, atualmente em circulação em alguns países do mundo, atinge a Austrália.
A ministra federal da Agricultura, Julie Collins, confirmou que uma segunda ave marinha selvagem na Austrália Ocidental testou positivo para influenza aviária de alta patogenicidade, após a detecção inicial em uma ave marinha skua marrom em uma área isolada do Parque Nacional Cape Le Grand, a cerca de 50 km a leste de Esperance.
O segundo caso positivo relatado foi detectado em uma outra ave marinha (petrel-gigante-do-norte) encontrada na mesma região isolada.
Segundo a Beef Central, líderes australianos do setor pecuário demostraram grande preocupação com a chegada da gripe aviária H5N1, pois o vírus tem capacidade de se espalhar para além das aves.
“Ao contrário dos surtos anteriores de gripe aviária na Austrália, tipicamente causados por cepas H7 presentes em aves domésticas, a variante H5 demonstrou capacidade de infectar mamíferos no exterior, incluindo gado leiteiro, e, em casos raros, humanos”, recorda a reportagem.
Nos Estados Unidos, nos últimos 12 meses, foram registradas infecções generalizadas por H5N1 em rebanhos leiteiros, com o gado infectado apresentando redução na produção de leite, febre, letargia e diminuição do apetite.
Porém, as autoridades australianas salientaram que não houve detecções em aves comerciais, nenhum sinal de propagação para sistemas agrícolas e nenhuma evidência de mortalidade em massa da vida selvagem.
“A gripe aviária H5N1 representa um baixo risco para a saúde pública e raramente afeta humanos. Além disso, não representa um risco para a segurança alimentar da carne de frango e dos ovos, desde que sejam manuseados e cozidos corretamente”, observa a reportagem.
De acordo com a Beef Central, um dos maiores processadores de aves da Austrália, o Grupo Inghams, anunciou que adotou um estado de vigilância reforçada em biossegurança, restringindo todo o acesso não essencial às suas fazendas e unidades de processamento na Austrália Ocidental como medida de precaução.
Suas fazendas de reprodução e rede de produtores estão localizadas entre 690 km e 770 km ao norte do local de detecção de Esperance. A empresa afirmou que o fornecimento para o mercado australiano permaneceu inalterado.
Força-tarefa
A chegada do H5 desencadeou uma resposta nacional coordenada, com governos e grupos pecuários alertando os produtores de todos os setores para que revisem a biossegurança nas fazendas e permaneçam vigilantes.

A transmissão entre espécies é um dos motivos pelos quais grupos do setor afirmam que o assunto merece a atenção de todos os produtores de gado, e não apenas dos avicultores.
“Este será, sem dúvida, um período estressante para os agricultores e tem o potencial de gerar impactos significativos em todo o setor”, disse o presidente da Federação Nacional de Agricultores, Hamish McIntyre.
A Animal Health Australia afirmou que a prioridade imediata é a vigilância para determinar se o vírus permanece isolado às duas aves selvagens ou se já se estabeleceu de forma mais ampla na vida selvagem.
A Austrália erradicou com sucesso vários surtos de gripe aviária H7 nos últimos anos, mas a Ministra Collins reconheceu que o H5 representa um desafio maior.
“O que temos visto globalmente é que é muito difícil erradicá-la”, disse ela, acrescentando: “Conseguimos erradicar o vírus H7 duas vezes nos últimos cinco anos, mas sabemos que o vírus H5 é muito mais difícil de erradicar se entrar em nosso sistema agrícola.”













Comentários (0)
Comentários do Facebook