Minerva prevê piora do cenário para a indústria de carne em 2026

A iminente virada do ciclo pecuário tende a elevar os custos de aquisição do boi e pressionar as margens das indústrias frigoríficas

Minerva prevê piora do cenário para a indústria de carne em 2026
Ilustrativa

A Minerva, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, projeta um 2026 mais difícil do que 2025, já que a iminente virada do ciclo pecuário tende a elevar os custos de aquisição do boi gordo e, assim, pressionar as margens da empresa e de outras indústrias com atuação no Brasil.

Dependendo do que acontecer, devemos ter um ano de 2026 realmente pior do que em 2025”, disse o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, durante coletiva de imprensa para divulgação do balanço financeiro, na quarta-feira (18/3).

Segundo ele, o primeiro trimestre está sendo mais difícil, considerando as volatilidades dos mercados em meio à guerra no Irã e as pressões de custos, como aqueles gerados pela alta do petróleo para o transporte.

Porém, de acordo com Ticle, o balanço de oferta e demanda no mundo seguirá deficitário para a carne bovina, “o que pode gerar oportunidades de aumento dos preços”.

“No mundo, este ano, tem menos oferta. Austrália, Brasil, EUA, China vão produzir menos… isso abre espaço em cenário de demanda estável para aumento de preços”, afirmou ele, segundo reportagem da Reuters.

No entanto, o executivo fez um alerta: “Mas, se isolar este fato (eventual valorização nos preços internacionais da proteína) e olhar só o cenário da pressão de custos advindos do ciclo do gado, provavelmente vai ter um ano mais difícil em 2026”.

Obstáculos na China

O texto da Reuters lembra que, em 2026, o setor de carne bovina do Brasil enfrentará um cenário mais complicado para exportar à China, considerando que o maior importador do país adotou uma política de salvaguardas que estipula tarifas adicionais de 55% para o que for além de uma cota de pouco mais de 1 milhão de toneladas no ano.

Durante a conversa com os jornalistas, o diretor-presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz, comentou que outras unidades exportadoras da Minerva – na Argentina, Uruguai e Colômbia – não têm um impacto tão relevante como o Brasil nas exportações para China.

“Obviamente limita a China como destino, e o Brasil tem que trabalhar outra alternativa de mercado”, disse Queiroz, ressaltando que a Minerva conseguirá diluir essa dificuldade em outros mercados externos e com vendas nos mercados internos onde atua.

Segundo a reportagem da Reuters, Queiroz também destacou o potencial de crescimento “bastante significativo” para vendas aos Estados Unidos, também por meio das unidades em outros países, como Argentina, Paraguai e Uruguai.

Conflitos no Oriente Médio

Falando especificamente de vendas para a região do conflito nos países do Oriente Médio, Queiroz afirmou que a região afetada representa menos de 7% das exportações da Minerva, e parte dos países continua sendo abastecido por portos ou rotas alternativas.

“O impacto de faturamento é pequeno em relação a destinos”, disse ele, citando, por outro lado, um encarecimento das operações pelo frete marítimo.

Lucro recorde de R$ 848,3 milhões em 2025

A companhia, que obtém cerca de 60% de suas receitas nos mercados externos, obteve lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2025 e lucro recorde de R$ 848,3 milhões no ano completo, versus prejuízo de mais de R$1,5 bilhão em 2024, detalha texto da Reuters.

A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$ 1,17 bilhão no quarto trimestre, com crescimento de 24,1%, enquanto o indicador marcou um aumento de 54,1% em 2025 na comparação anual, para um recorde de R$ 4,8 bilhões.

Executivos da Minerva destacaram que a empresa obteve desempenho acima do consenso em 2025 com a conclusão bem-sucedida de uma série de aquisições junto ao concorrente Marfrig (atual MBRF), o que contribuiu para um salto no número de unidades de 26 para 38 unidades, a maioria na América do Sul.

Distribuição de dividendos

Conforme seu relatório, a Minerva propôs a distribuição de dividendos complementares no valor de R$ 30,8 milhões a serem aprovados em assembleia em abril/26. Somados à distribuição antecipada, o valor total será de R$ 192,9 milhões em dividendos relativos ao ano-fiscal 2025, antecipa a Reuters.