Soja brasileira custa menos, mas insumos pesam mais

Terra pesa menos no custo brasileiro, embora fertilizantes e defensivos custem mais

Soja brasileira custa menos, mas insumos pesam mais
ilustrativa

A produção de soja tem custos diferentes no Brasil e nos Estados Unidos, sobretudo pelo peso da terra e dos insumos. Segundo estudo publicado pelo Centro de Agricultura Comercial da Universidade Purdue em 30 de outubro, fazendas brasileiras registraram despesas totais menores, apesar dos gastos mais elevados com fertilizantes e defensivos.

A pesquisa reuniu nove fazendas típicas, quatro no Brasil, em Mato Grosso e no Paraná, e cinco nos Estados Unidos, com dados principalmente de 2020 a 2024. O custo total médio foi de US$ 416 por acre nas propriedades brasileiras, contra US$ 616 nas norte-americanas. Um acre equivale a aproximadamente 0,4 hectare.

Nos fertilizantes, o Brasil apresentou gasto médio de US$ 85 por acre, ante US$ 57 nos Estados Unidos. A necessidade de corrigir solos do Cerrado e a dependência de importações contribuem para a diferença. Em 2023, após a alta internacional dos insumos, o custo brasileiro chegou a US$ 150 por acre.

Com defensivos agrícolas, os valores foram de US$ 81 por acre no Brasil e US$ 56 nos Estados Unidos. A maior pressão de pragas e doenças em condições tropicais ajuda a explicar a distância. As sementes tiveram comportamento inverso: custaram US$ 66 por acre nas fazendas norte-americanas e US$ 43 nas brasileiras, em média.

As despesas estruturais, que incluem principalmente terra, alcançaram US$ 251 por acre nos Estados Unidos e US$ 97 no Brasil. Assim, a vantagem brasileira na cultura da soja observada na amostra não decorre de insumos mais baratos, mas do menor peso dos custos estruturais. O estudo também destaca que a dependência de fertilizantes e defensivos importados torna a produção brasileira mais vulnerável às oscilações de preços e do câmbio.