Após três meses de interdição, ponte da BR-235 volta a receber veículos leves entre Pedro Afonso e Tupirama
Travessia é retomada nesta terça-feira (25), mas veículos pesados continuam proibidos; estrutura será monitorada por sensores e ainda deverá ser substituída
Após cerca de três meses de interdição total, a ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, volta a receber veículos leves a partir desta terça-feira (25). A liberação parcial foi anunciada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e ocorre sob restrições e monitoramento da estrutura.
A medida representa a retomada da travessia para carros de passeio e motocicletas, mas o tráfego de veículos pesados continua proibido. Segundo o DNIT, a fiscalização será realizada de forma integrada com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A liberação ocorre pouco mais de duas semanas após audiência pública realizada em Pedro Afonso, quando o DNIT havia anunciado a intenção de permitir novamente a passagem de veículos de pequeno porte. Na ocasião, o órgão também confirmou a construção de uma nova ponte e medidas emergenciais para reduzir os impactos da interdição sobre moradores e o setor produtivo.
Durante a passagem pela estrutura, os motoristas deverão respeitar a sinalização e os limites de velocidade estabelecidos, além de não realizar paradas sobre a ponte e seguir as orientações das equipes responsáveis pelo controle do tráfego.
Estrutura será monitorada
Mesmo com a retomada parcial do trânsito, os problemas que levaram à interdição permanecem. O DNIT reforça que a reconstrução da ponte continua sendo a solução definitiva para a travessia.
Sensores instalados na estrutura vão acompanhar o comportamento da ponte durante a circulação dos veículos. Caso sejam identificadas alterações nos parâmetros de segurança ou sinais de instabilidade acima dos limites definidos pelas equipes de engenharia, a travessia poderá ser novamente bloqueada de forma preventiva.
Laudos técnicos concluídos em julho apontaram danos graves no concreto das fundações, provocados por reações químicas internas. Os desgastes foram considerados irreversíveis, levando o DNIT a decidir pela substituição da atual estrutura.
A ponte havia sido interditada preventivamente em 20 de maio, depois que uma inspeção identificou problemas estruturais.
Interdição afetou logística do agro
A retomada, ainda que restrita aos veículos leves, ocorre após meses de impactos sobre a mobilidade e a atividade econômica da região. Desde maio, produtores, empresas e transportadores passaram a depender de balsas e de percursos alternativos para cruzar o Rio Tocantins.
Como já mostrou o Tocantins Rural, estimativas da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa) apontaram que o desvio utilizado após a interdição acrescentou entre 120 e 130 quilômetros às viagens de caminhões e elevou os custos logísticos entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada.
A região de Pedro Afonso concentra produção de grãos, cana-de-açúcar e pecuária, fazendo da travessia um ponto importante tanto para o escoamento da produção quanto para a chegada de fertilizantes, sementes, defensivos e outros insumos.

Para os veículos pesados, porém, a situação permanece sem alteração com a liberação desta terça-feira. Caminhões continuam impedidos de utilizar a ponte e deverão seguir as alternativas de travessia disponíveis.
Nova ponte será solução definitiva
Durante audiência pública realizada no dia 7 de agosto, o DNIT confirmou que uma nova ponte será construída sobre o Rio Tocantins. O projeto prevê uma estrutura duplicada, preparada para acompanhar uma eventual futura duplicação da BR-235.
Na ocasião, o órgão informou ainda que a previsão é de conclusão da nova travessia em até dois anos. Depois da entrega, a atual estrutura deverá ser demolida.
Enquanto a substituição não ocorre, a circulação pela ponte existente continuará condicionada às avaliações técnicas e ao monitoramento de segurança.












