Novas tarifas podem mudar a disputa por mercados
Cotas e exigências comerciais condicionam os benefícios para o produtor brasileiro
A redução de tarifas prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia abre possibilidades para o agronegócio, mas não garante aumento automático das exportações. Segundo Claudio Brisolara, estrategista do agronegócio, os efeitos variam entre as cadeias produtivas e dependem das condições de acesso a cada mercado. A avaliação integra o Informe Técnico nº 32/2026, da FAESP e do SENAR-SP.
Algumas frutas poderão contar com eliminação de tarifas sem restrições por cotas. Em outros segmentos, o acesso preferencial será limitado por volumes específicos ou dependerá de reduções tarifárias graduais. O benefício não alcançará necessariamente toda a produção exportada.
O açúcar de cana destinado ao refino exemplifica essa diferença. O acordo estabelece uma cota de preferência tarifária de 180 mil toneladas anuais para o produto brasileiro. Na década considerada pelo estudo, o país vendeu à União Europeia, em média, 634 mil toneladas de açúcar bruto por ano. A cota define o volume beneficiado pela condição tarifária, sem impedir embarques adicionais, sujeitos às tarifas anteriores.

Em milho e sorgo, o levantamento aponta outra oportunidade. O Brasil tem capacidade exportadora, mas responde por apenas 1,5% das importações europeias desses produtos. Ampliar as vendas dependerá da capacidade de competir com outros fornecedores.
O estudo também destaca que salvaguardas podem restringir temporariamente vantagens comerciais diante de determinadas condições de mercado. Regras sanitárias e ambientais e custos logísticos também influenciarão o acesso.
A redução de barreiras abre espaço para diversificar destinos e agregar valor à produção. Os resultados, porém, dependerão de planejamento, competitividade e estratégias específicas para cada cadeia.











