Tereza Cristina cobra ajuste fiscal e alerta para impacto dos juros sobre o crédito rural

Vice-presidente da FPA no Senado afirmou, durante o Agenda Brasil, que crescimento das despesas aumenta a desconfiança na economia e encarece o financiamento da produção

Tereza Cristina cobra ajuste fiscal e alerta para impacto dos juros sobre o crédito rural
ilustrativa

Foto: Daniel Fagundes

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), cobrou maior responsabilidade na condução das contas públicas e alertou para os reflexos dos juros elevados sobre o setor produtivo, especialmente no acesso dos produtores ao financiamento. A declaração foi feita nesta terça-feira (25), durante o Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade, em São Paulo.

Realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Grupo Estado, o encontro reúne lideranças do setor produtivo, parlamentares, economistas e especialistas para discutir responsabilidade fiscal, qualidade do gasto público, produtividade, geração de empregos e competitividade. O evento conta com a presença do presidente da CNA, João Martins.

Ao abordar o cenário econômico, Tereza Cristina afirmou que a CNA “acertou no timing” ao promover o debate sobre responsabilidade fiscal em um momento de preocupação com a trajetória das despesas públicas.

“Em 2023, votei contra o arcabouço fiscal porque sabia que ele não daria certo da forma como foi colocado. Não por ser oposição ou situação, mas porque a proposta não garantiu o ajuste fiscal. Permitiu o aumento das despesas sem garantir as receitas necessárias”, afirmou.

A senadora também questionou a qualidade dos gastos e a capacidade do atual modelo fiscal de conter o crescimento das despesas. “Não se questionava a qualidade dos gastos e nem a austeridade. As despesas estão crescendo acima dos limites que o próprio governo criou. Onde serão feitos os cortes? Ajuste de verdade tem endereço”, disse.

Tereza Cristina relacionou ainda o equilíbrio das contas públicas à qualidade dos serviços entregues à população. “Onde estão os serviços públicos para a sociedade que está no meio desse desequilíbrio econômico? Todos estão endividados”, questionou.

Juros chegam ao campo

A vice-presidente da FPA relacionou a expansão das despesas e a incerteza em relação às contas públicas à manutenção dos juros em níveis elevados. Segundo ela, o problema chega diretamente ao setor produtivo. “Temos despesas novas a todo momento. Isso gera desconfiança e se reflete na taxa de juros”, afirmou.

No campo, a senadora chamou a atenção para o encarecimento dos financiamentos e para as dificuldades enfrentadas pelos produtores para acessar recursos em condições compatíveis com a atividade. “O crédito rural está deixando de caber no bolso do produtor”, alertou.

O cenário agrava o endividamento rural, especialmente após sucessivas safras afetadas por eventos climáticos extremos. Tereza Cristina falou sobre a urgência de garantir previsibilidade de recursos e ampliar o alcance do seguro rural para proteger a renda do produtor e evitar que perdas provocadas por secas, enchentes e outros eventos adversos resultem em novos ciclos de renegociação de dívidas.

A preocupação também alcança a infraestrutura. No Arco Norte, o baixo nível do rio Tapajós volta a ameaçar o escoamento da produção e evidencia a necessidade de planejamento e investimentos para reduzir a vulnerabilidade logística. Em um cenário de mudanças climáticas, competitividade exige crédito acessível, instrumentos de proteção à produção e infraestrutura capaz de assegurar que a safra chegue aos mercados.

A senadora também destacou a capacidade da agropecuária brasileira de gerar resultados e contribuir para a economia. “O agro é um sucesso neste país”, afirmou.

Produtividade e competitividade

O vice-presidente da FPA na Câmara dos Deputados, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), também participa do Agenda Brasil. O parlamentar acompanha as discussões sobre produtividade, emprego, competitividade e os caminhos para transformar os diagnósticos apresentados pelo setor produtivo em políticas públicas.

A presença dos dois vice-presidentes da FPA reforça a atuação da bancada nas discussões econômicas que impactam diretamente quem produz. Além das políticas específicas para o campo, a Frente tem defendido no Congresso um ambiente de maior previsibilidade econômica, segurança jurídica e condições adequadas de financiamento e investimento.

Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade amplia essa discussão ao aproximar setor produtivo, especialistas e representantes do Congresso Nacional em torno de propostas para enfrentar desafios estruturais da economia brasileira. Para a FPA, responsabilidade fiscal, qualidade do gasto, produtividade, crédito, seguro rural e infraestrutura são partes de uma mesma agenda para criar condições sustentáveis de crescimento, geração de emprego e competitividade para o país.