Mensagem dos produtores de gado para Trump: “Fique fora do nosso caminho”

“Simplesmente não se intrometam”, diz, à Drovers, o empresário Jim Hertzog, proprietário do Mo-Kan, um curral de leilões com três décadas de história no país

Mensagem dos produtores de gado para Trump: “Fique fora do nosso caminho”
ilustrativa

Quatro das principais organizações agrícolas e de carne bovina dos EUA, além de outros agentes ligados ao setor de pecuária de corte, estão unindo forças para instar o presidente Donald Trump a reverter seu plano de importação de carne bovina (isenta de tarifas) por 90 dias, relata reportagem publicada pela revista Drovers nesta terça-feira (1/9).

“Simplesmente não se intrometam”, diz, à Drovers, o empresário Jim Hertzog, proprietário do Mo-Kan, um importante curral de leilões de gado com mais de três décadas de história nos EUA.

Ele completa: “Deixem o mercado funcionar; é para isso que ele foi criado. Não se intrometam.”

Além de atua no mercado de leilões, em Butler, Missouri, a família Hertzog atua na atividade de criação de gado, por meio da Hertzog Farms, e também opera a Hertzog Meat Co., uma unidade de processamento e venda de carne bovina.

Recentemente, o governo o Missouri descreveu a Hertzog Meat como uma empresa “verticalmente integrada, que cria, compra, processa e distribui proteínas nos EUA”.

Uma carta conjunta assinada por líderes da Livestock Marketing Association, da American Farm Bureau Federation, da National Cattlemen’s Beef Association e da United States Cattlemen’s Association alerta que a política devastará os mercados domésticos de gado.

Preço da carne bovina não é o problema nos EUA, diz produtor

Na reportagem, Hertzog argumenta que o verdadeiro problema para os consumidores não é o preço da carne bovina, e sim dos combustíveis.

Ele afirma que, em termos de preço acessível, já existem opções de proteína mais baratas nas prateleiras dos supermercados.

“Desde que a guerra começou, o combustível subiu provavelmente US$ 1,17 ou US$ 1,20 por galão”, calcula.

Questionado pela Drovers sobre quem estaria aconselhando o presidente Trump sobre a política de carne bovina, Hertzog aponta diretamente para a brasileira JBS, a maior empresa de processamento de carne do mundo, e que tem ligações conhecidas com o governo Trump.

“Acho que são os irmãos Batista, da JBS”, diz Hertzog, à Drovers.

Porém, a reportagem esclarece que ainda “não se sabe se a JBS está por trás da recente iniciativa para flexibilizar as restrições à importação de carne moída”.

“O governo não informou de onde essa carne moída, que receberá tratamento tarifário especial, será importada”.