Poucos candidatos e oferta maior de vagas impactam a agropecuária
Setor afirma que a dificuldade de contratação ocorre em todos segmentos do agronegócio, indo desde tratoristas e até a vaqueiros, em todas as cadeias produtivas
A dificuldade de contratação acontece em todos segmentos do agro, como diaristas, tratorista e até vaqueiros, em todas as cadeias produtivas. Ronan Antônio Azzi Filho, presidente do Sindicato Rural de Itaporanga, conta que, na fruticultura, há dificuldade para encontrar gente para ajudar em funções como colheita das frutas e tirador de leite. "Apesar da região ter muita mecanização, ainda existem muitas propriedades para este trabalho diario de tirar o leite. Não está fácil", afirma.
O sindicato oferece cursos o ano todo, mas o grande problema é o baixo interesse pelas atividades relacionadas ao agro. Ele acredita que o assistencialismo do governo é outro entrave, pois um grande número de pessoas recebe benefícios sociais e não aceita nenhum registro formal de emprego para não perder Bolsa Família.
Para Azzi, isso prejudica o desempenho operacional das propriedades, que não têm como aumentar a produção pela escassez da mão de obra. "Mas impacta toda a economia, como o resultado do PIB. Estou construindo um curral na propriedade e aguardo um carpinteiro terminar outra obra há meses. Esta ficando cada vez mais caro e alguém tem de pagar essa conta”.
A auxiliar de cozinha Flabline Pereira de Andrade faz o curso de beneficiamento de sementes, em Rio Verde. Ela onta que já morou em fazenda durante muito tempo e retende voltar. "As propriedades estão precisando muito destes profissionais. O beneficiamento envolve muitas áreas e a pessoa pode ajudar na classificação de grãos. A remuneração está bem melhor também", avalia.
Segundo Andrade, os produtores pagam até uma comissão por fora pelos resultados, além do valor da carteira. "É possivel ganhar até uns três salários mínimos e o curso é gratuito. É uma oportunidade e ninguém perde por ter mais estudo e conhecimento", acredita.
Para Luanna Oliveira Inacio de Moraes, presidente do Sindicato Rural de Buriti Alegre, a maior dificuldade atual da agropecuária é a mão de obra. De acordo com ela, o problema afeta a agricultura, a pecuaria e até as granjas da região. "A BRF fez uma expansão e, até hoje, tem vagas em aberto. Mesmo trazendo pessoas de outros locais, eles não conseguiram preencher todas as vagas. É prejuízo para o produtor e para a economia do municipio", alerta.
Cursos de qualificação são oferecidos constantemente, mas faltam interessados. Os que procuram geralmente estão fazendo uma reciclagem e ja estão trabalhando. "Hoje, o maquinário na agricultura é todo automatizado e só precisa de uma pessoa para direcionar."
Por isso, hoje, o funcionário de fazenda precisa ser muito bem remunerado e ter boas condições na propriedade, como internet, para querer ficar. "Ha propriedades que já colocam até ar condicionado no quarto para cativar o bom profissional. O salário está muito bom para operadores", garante. Mas a rotatividade nas granjas e na agricultura ainda é grande. "Muitas vezes, a fazenda também precisa empregar a esposa para segurar o marido no trabalho."
Formais
O agronegócio ocupa 1,05 milhão de pessoas em Goiás, o que representa 27% das ocupações no emprego formal no estado. Para Dirceu Borges, superintendente do Senar Goiás, a demanda é crescente e sempre há ofertas de emprego no agro, que está cada vez mais exigente e mudou o perfil, pois precisa de mão de obra mais qualificada para ocupar as vagas.
Com a alta rotatividade, o setor realiza cerca de 93 mil admissões por ano em Golas. Mas ainda falta gente preparada para ocupar as vagas oferecidas. "Oferecemos quase 100 mil vagas anualmente para qualificação em cursos gratuitos de curta duração e alguns à distância. A mecanização e agricultura de precisão elevaram o nível técnico no campo", ressalta Borges.
A oferta de mão de obra vem num ritmo mais lento que a demanda do setor, o que ajudou a elevar o nível salarial destes trabalhadores, pois se exige formação de nível médio como técnico em cursos de longa duração.


"São máquinas cada vez mais tecnológicas e equipadas com computadores que exigem formação técnica. O perfil deste trabalhador mudou", diz.
Ele também acredita que os auxílios fazem com que muita gente não queira ir para a zona rural trabalhar, mesmo com salários atrativos. "O período influencia, mas temos vagas abertas em todos os meses do ano. Na plataforma Talentos do Campo, os empregadores ofertam suas demandas e o trabalhador cadastra seu currículo”.
Entre os cursos mais procurados, estão os operação de máquinas e de drone na agropecuária. "Fomos pioneiros neste curso no País, procurado por muitas mulheres, que também já operam colheitadeiras de cana, pois as máquinas hoje não requerem muito esforço físico. Além disso, elas são mais cuidadosas e as máquinas quebram menos nas mãos delas", conta o superintendente do Senar.
Matéria publicada no Jornal O Popular: https://opopular.com.br/econom...












