Comissão cobra DNIT por medidas anunciadas após interdição da ponte da BR-235 em Pedro Afonso

Reunião nesta terça-feira, 6, no MPF, em Palmas, vai cobrar andamento da nova ponte, operação de balsas e obras na TO-010; até agora, apenas a liberação parcial da travessia foi efetivada

Comissão cobra DNIT por medidas anunciadas após interdição da ponte da BR-235 em Pedro Afonso
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Ponte sobre o Rio Tocantins foi interditada preventivamente após identificação de problemas estruturais. (Foto: Ascom Coapa).

Representantes da Comissão Interinstitucional de Coordenação das Ações Relacionadas à Interdição da Ponte da BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, se reúnem nesta terça-feira, 6, com o Ministério Público Federal (MPF) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para cobrar o andamento das medidas anunciadas há dois meses para reduzir os impactos da interdição.

O encontro está marcado para as 14h, na sede do MPF, em Palmas, e será mediado pelo procurador da República no Tocantins Álvaro Manzano. A pauta inclui providências relacionadas à construção de uma nova ponte sobre o Rio Tocantins, à ampliação da travessia por balsas e às intervenções na TO-010, utilizada como rota alternativa.

As medidas haviam sido apresentadas pelo DNIT durante audiência pública realizada em Pedro Afonso, no dia 7 de agosto. Na ocasião, cerca de 1.100 pessoas participaram das discussões sobre os impactos da interdição, entre moradores, produtores rurais, comerciantes, estudantes, representantes do setor produtivo e autoridades.

Entre os compromissos anunciados pelo diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT, Fábio Pessoa da Silva Nunes, apenas a liberação parcial da ponte para veículos de menor porte foi efetivamente implementada até o momento.

Nova ponte ainda aguarda avanço

Durante a audiência de agosto, o DNIT informou que o edital de licitação para a construção da nova ponte seria publicado ainda naquele mês.

O projeto prevê uma nova estrutura duplicada, já preparada para uma futura duplicação da BR-235. A estimativa apresentada na ocasião era de conclusão da obra em até dois anos. Após a entrada em operação da nova travessia, a ponte atual deverá ser demolida.

Até o início desta semana, porém, o lançamento do edital ainda estava entre as providências cobradas pela comissão.

Quatro balsas também estavam previstas

Outra medida anunciada em agosto foi a disponibilização de quatro balsas gratuitas para ampliar a travessia de pessoas, veículos e cargas pelo Rio Tocantins.

A expectativa era de que as embarcações entrassem em operação ainda naquele mês, ajudando a reduzir os impactos sobre a mobilidade e principalmente sobre o escoamento da produção agropecuária da região.

A travessia é estratégica para o transporte de grãos, cana-de-açúcar, gado, insumos agrícolas e mercadorias.

A implantação das quatro balsas também segue entre os pontos que serão cobrados durante a reunião desta terça-feira.

Obras na TO-010

A comissão também aguarda o avanço das intervenções anunciadas para a TO-010, principal rota alternativa utilizada desde a interdição da ponte.

Durante a audiência pública, o DNIT informou que estava em fase de contratação das empresas responsáveis pela construção de duas pontes de concreto e pela recuperação do trecho não pavimentado entre Pedro Afonso e Tocantínia.

Também foi anunciado o recapeamento do segmento pavimentado entre Tocantínia e Lajeado.

A rodovia passou a receber um volume maior de veículos após a interdição da BR-235, mas o trecho de terra enfrenta problemas com poeira e conta com pontes de madeira consideradas pontos de risco pelos usuários.

Interdição afeta logística do agro

A ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, foi interditada preventivamente pelo DNIT em 20 de maio de 2026, depois que uma inspeção identificou problemas estruturais.

Em 17 de julho, o órgão confirmou que os danos eram irreversíveis. Ensaios de carga e análises laboratoriais realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) apontaram deterioração no concreto das fundações provocada por reações químicas internas, comprometendo a segurança da estrutura.

Desde então, moradores, produtores, transportadores e empresas passaram a depender de rotas alternativas e de balsas para atravessar o Rio Tocantins.

No setor produtivo, a interdição trouxe aumento nos custos logísticos. Estimativas apresentadas pela Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa) apontaram que o desvio pode acrescentar entre 120 e 130 quilômetros ao percurso dos caminhões, com aumento de aproximadamente R$ 8 a R$ 10 por tonelada no custo do transporte.

Além do escoamento da produção agrícola, o cenário também afeta a chegada de fertilizantes, sementes e defensivos utilizados nas propriedades da região.

Mobilização começou com audiência pública

A Comissão Interinstitucional de Coordenação das Ações Relacionadas à Interdição da Ponte da BR-235 foi responsável pela organização da audiência pública realizada em agosto, com o tema “S.O.S. BR-235: A Ponte que Sustenta Vidas, o Agro e o Desenvolvimento Regional”.

Na ocasião, os organizadores afirmaram que acompanhariam o cumprimento dos compromissos assumidos pelo DNIT.

A comissão é formada pela Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), Sindicato Rural de Pedro Afonso e Região (Sirpar), Prefeitura de Pedro Afonso, Câmara Municipal de Pedro Afonso, Associação Comercial e Industrial de Pedro Afonso (Acipa) e pelos movimentos Pró-BR-235 e Pró-TO-010.

A reunião desta terça-feira ocorre justamente para atualizar esse acompanhamento e cobrar o cumprimento das medidas que ainda não saíram do papel.