Recorde: safra brasileira de grãos deve alcançar 358 milhões de toneladas, diz Conab
Produção de soja, milho e sorgo impulsiona projeção histórica da Conab, com crescimento de 5,7 milhões de toneladas sobre a safra passada
A safra brasileira de grãos deve alcançar um novo recorde e chegar a 358 milhões de toneladas, segundo o 8º Levantamento da Safra de Grãos divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (14).
O volume é 1,6% superior ao obtido na safra passada, o que representa um incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.
A produção de soja está projetada em 180,1 milhões de toneladas, um marco inédito para a cultura. O número supera a previsão anterior em 978 mil toneladas, o equivalente a um ajuste de 0,5%, com 98,3% da área já colhida.
Em relação à safra 2024/25, é esperado um crescimento de 8,6 milhões de toneladas para a oleaginosa, o que representa aumento de 5% e marca o sétimo crescimento nas últimas dez safras.
O milho também segue em trajetória positiva. A primeira safra voltou a apresentar aumento na área semeada em relação aos últimos anos, refletindo em uma colheita de aproximadamente 28,5 milhões de toneladas, superando em 3,5 milhões de toneladas a produção anterior. Já o sorgo pode alcançar 7,6 milhões de toneladas produzidas.
Milho deve registrar segunda maior produção da série histórica
Para o total das três safras do milho, a Companhia estima uma colheita de 140,2 milhões de toneladas, configurando a segunda maior produção da série histórica. Em relação ao último levantamento, os dados apontam ganho de 0,4%, correspondente a 600 mil toneladas.
Com 71,5% da área colhida até o início de maio, a primeira safra do cereal registrou incremento de 1,8% em relação ao levantamento anterior, com alta de 493 mil toneladas. Concluída a semeadura, a 2ª safra deve atingir 108,5 milhões de toneladas, com leve queda de 0,6% em comparação ao ciclo anterior. Nos estados de Goiás e Minas Gerais, essa variação decorre da influência climática sobre a produção e, no panorama nacional, os dados ainda apontam aumento de 2,1% na área plantada.
Sorgo avança com migração de áreas do milho
A perspectiva de incremento de até 23,8% para o sorgo está associada ao avanço significativo na área cultivada, especialmente no Centro-Oeste, onde o aumento chega a 50,7%. Maior produtor nacional na safra 2024/25, o estado de Goiás deve registrar ganho de 40,3% na produção, superando o volume de 2,2 milhões de toneladas.
“Esse crescimento é explicado pela migração estratégica de áreas originalmente destinadas ao milho. Com o encerramento da janela ideal de semeadura desse cereal, parte dos produtores optou pelo sorgo, considerando sua maior adaptação a janelas de cultivo tardias, em razão da maior tolerância da cultura a períodos de deficit hídrico, além da possibilidade de utilização do grão em diferentes segmentos, como na alimentação animal e produção de etanol”, analisa o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos.
Arroz e feijão recuam, mas sem risco de desabastecimento
Para o arroz, item fundamental na alimentação dos brasileiros, as projeções indicam queda de 0,3% na produção, calculada em 11,1 milhões de toneladas, mantendo estabilidade em comparação ao estimado no mês antecedente. Em relação à safra 2024/2025, o recuo esperado é de 1,7 milhão de toneladas, consequência da diminuição da área plantada em cerca de 13,7%.

Considerando que 94,6% da área já foi colhida, os dados ainda mostram ganho de produtividade nesta safra, alcançando 7.281 quilos por hectare.
Para o feijão, outro produto de destaque na mesa dos brasileiros, a produção total tende a decrescer 5,2% em volume colhido quando comparada à safra anterior, mantendo-se dentro da estabilidade prevista no último levantamento divulgado pela Companhia, sendo estimada em 2,9 milhões de toneladas somadas as três safras do grão.
Com 95,4% da área colhida, a primeira safra da leguminosa registrou ganho de produtividade de 4,3%, devendo atingir pouco mais de 969 mil toneladas em volume produzido. Apesar da previsão de redução nas áreas plantadas e no volume produzido de arroz e feijão, não há risco de desabastecimento desses grãos no mercado interno.
Algodão e trigo devem ter produção menor
Com a maior parte das lavouras já em fase prévia à colheita, a produção esperada de algodão deve chegar a aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao volume da safra 2024/25. As projeções refletem redução na área plantada e na produtividade.
A produção estimada de trigo também deve diminuir em 1,5 milhão de toneladas, resultado impactado principalmente pela redução da área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná. De acordo com os valores apurados pela Companhia, o país deve produzir 6,4 milhões de toneladas do cereal.
Etanol deve impulsionar consumo interno de milho
A indústria de etanol deve impulsionar o consumo interno do milho, que tende a avançar 4,6% em relação à temporada passada, estimado em 94,86 milhões de toneladas. A Conab também avalia que as exportações do produto seguirão elevadas, superando o ciclo 2024/25 e podendo alcançar 46,5 milhões de toneladas, cenário favorecido pela boa produção nacional.
Ainda assim, o estoque de passagem do cereal no final da atual safra deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas. Para a soja, as exportações acompanham os números positivos da safra, com estimativa de que os embarques cheguem a 116 milhões de toneladas, crescimento de 7,25% se comparado com a temporada 2024/25.








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