Mercado de feijão mantém segmentação e preços variam conforme a qualidade do produto

Oferta restrita de grãos de melhor padrão sustenta as cotações, enquanto lotes intermediários enfrentam maior pressão de mercado

Mercado de feijão mantém segmentação e preços variam conforme a qualidade do produto
ilustrativa

O mercado brasileiro de feijão iniciou julho mantendo a dinâmica observada ao longo do primeiro semestre, com comportamento distinto entre os diferentes padrões de qualidade do produto. De acordo com o indicador Cepea/CNA, a oferta limitada de feijão de melhor qualidade continua sustentando os preços, enquanto os segmentos intermediários e o feijão preto apresentam oscilações influenciadas pela disponibilidade regional e pelo ritmo das negociações.

No caso do feijão carioca peneira 12, ou com nota igual ou superior a 9,0, a oferta segue restrita, mesmo com o avanço da colheita da safra irrigada no Cerrado. A demanda da indústria para recomposição de estoques continua aquecida, contribuindo para a manutenção das cotações em níveis elevados.

Embora os preços tenham recuado 9,65% em junho na comparação com maio, após as fortes altas registradas no primeiro semestre, o produto ainda acumula valorização de 62,4% no ano e permanece 57% acima do patamar registrado em junho de 2025. A expectativa é de estabilidade, com viés de firmeza, enquanto a oferta de grãos de alto padrão continuar limitada.

Já o feijão carioca de qualidade intermediária, classificado com notas 8 e 8,5, enfrenta maior pressão de mercado devido ao aumento da oferta, principalmente de lotes provenientes do Paraná, onde geadas e chuvas comprometeram a qualidade da produção.

Em junho, os preços dessa categoria recuaram 13,15% em relação a maio. Ainda assim, acumulam alta de 52,3% no primeiro semestre e permanecem 70,3% acima dos níveis registrados no mesmo período do ano passado. Na última semana, o indicador Cepea apontou quedas nas regiões Sul/Sudoeste de Minas Gerais (-6,27%), Leste Goiano (-5,53%) e Curitiba (-3,23%), refletindo a maior seletividade dos compradores. A tendência é de acomodação das cotações nas regiões com maior disponibilidade do produto.

O mercado do feijão preto tipo 1, por sua vez, segue firme, sustentado pela redução da oferta após o encerramento da segunda safra no Paraná e pelas perdas de produtividade provocadas pelas condições climáticas.

Em junho, as cotações avançaram 1,88% em relação a maio, acumulando valorização de 35% no primeiro semestre e de 47,2% na comparação com junho de 2025. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), apenas 21% das lavouras remanescentes no Paraná são classificadas como boas, cenário que limita a oferta de grãos de alta qualidade.

As negociações permanecem concentradas na reposição de estoques pela indústria e na comercialização por parte dos produtores. Para o curto prazo, a expectativa é de manutenção do mercado firme, com possibilidade de novas altas pontuais caso a oferta continue restrita.