Tocantins lidera alta do preço do boi gordo no país, com valorização de 4,2porcento em agosto
Estado registrou a maior valorização entre as 28 praças pecuárias acompanhadas pelo Cepea na primeira quinzena do mês; mercado, porém, apresentou perda de ritmo nos últimos dias
O Tocantins registrou a maior valorização do preço do boi gordo entre as praças pecuárias acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na primeira quinzena de agosto. No estado, a arroba acumulou alta de 4,2% nos primeiros 15 dias do mês, superando os avanços observados em outras importantes regiões produtoras do país.
O movimento de alta ocorreu em praticamente todo o mercado pecuário brasileiro. Das 28 praças monitoradas pelo Cepea, 26 apresentaram valorização da arroba no período.
Depois do Tocantins, os maiores avanços foram registrados no oeste da Bahia, onde a valorização chegou a 3,4%, e no noroeste do Paraná, com 3,3%.
Os números colocam o mercado tocantinense em destaque neste início de agosto, em um período no qual a relação entre disponibilidade de animais para abate, postura dos pecuaristas e necessidade de compra dos frigoríficos tem influenciado diretamente as negociações.
Mercado perde ritmo após valorização
Apesar da alta acumulada na primeira metade do mês, o mercado começou a apresentar sinais de menor ritmo no encerramento da última semana.
Segundo o Cepea, boa parte dos lotes negociados na quinta e na sexta-feira foi destinada a escalas de abate entre sete e 12 dias. Frigoríficos de maior porte, principalmente aqueles que trabalham com maior volume de contratos, relataram escalas razoavelmente preenchidas até o fim de agosto.
Esse cenário pode reduzir a necessidade imediata de compra por parte da indústria e aumentar a pressão nas negociações após a valorização observada no início do mês.
Do lado dos produtores, parte dos pecuaristas vinha segurando os animais na expectativa de preços mais elevados. No fim da semana, entretanto, alguns vendedores passaram a encontrar ofertas menores por parte dos compradores.
Com isso, enquanto alguns produtores começaram a avaliar negociações em patamares inferiores, outros seguem aguardando novas valorizações antes de disponibilizar os animais.
A combinação desses fatores resultou em menor liquidez no encerramento da semana. A disponibilidade de animais e o tamanho das escalas dos frigoríficos devem continuar entre os principais pontos de atenção para o comportamento da arroba nos próximos dias.

Consumo de carne desacelera na segunda quinzena
Outro fator que pode influenciar o mercado pecuário é o comportamento dos preços da carne bovina no atacado. Com a chegada da segunda metade de agosto, o Cepea identificou perda de força nas cotações.
O movimento é associado à desaceleração sazonal do consumo, já que a disponibilidade de renda das famílias costuma diminuir ao longo da segunda quinzena do mês.
Na última sexta-feira, a carcaça casada de boi foi negociada, em média, a R$ 24,07 por quilo à vista, queda de 0,4% na comparação semanal.
Assim, apesar de o Tocantins ter liderado a valorização da arroba do boi gordo no país na primeira quinzena de agosto, o mercado entra na segunda metade do mês com sinais de maior cautela. O comportamento dos frigoríficos, a disponibilidade de animais e a demanda por carne bovina serão determinantes para saber se os preços conseguirão sustentar os ganhos acumulados no estado.












