Compras da “mão para a boca” dos frigoríficos vão minando os preços do boi gordo

Em São Paulo, as cotações do animal sem padrão-exportação e do “boi-China” recuaram R$ 1/@ e R$ 2/@, respectivamente, para R$ 342/@ e R$ 344/@ , apurou a Scot

Compras da “mão para a boca” dos frigoríficos vão minando os preços do boi gordo
ilustrativa

O mercado do boi gordo entra na reta final de agosto/26 ainda pressionado, mas sem oferta suficiente para sustentar uma queda generalizada da arroba, observam os analistas da Agrifatto. 

“Caso a disponibilidade de boiadas permaneça enxuta, a dificuldade dos frigoríficos para alongar as escalas de abate tende a limitar novos recuos e pode ampliar a sustentação das cotações com a entrada de setembro/26″, acreditam os especialistas da consultoria. 

Dessa maneira, nesta quarta-feira (26/8), a arroba do boi gordo paulista (com ou sem padrão-exportação) permaneceu em R$ 345, enquanto o valor médio das outras 16 praças monitoradas pela Agrifatto seguiu em R$ 341.

Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, nesta quarta-feira, no interior de São Paulo, as cotações do boi gordo sem padrão-exportação, do “boi-China” e da novilha terminada recuaram R$ 1/@, R$ 2/@ e R$ 3/@, respectivamente, para R$ 342/@, R$ 344/@ e R$ 332/@ (valores brutos).

Segundo o levantamento da Scot, os preços do lotes terminados também recuaram nas praças do Pará e de Tocantins.

“Os frigoríficos estão comprando apenas o necessário para o abate imediato, que atende, em média, a sete dias”, afirma a equipe de analistas da Scot, referindo-se ao mercado paulista. 

Segundo a consultoria de Bebedouro (SP), neste momento, há disputa em torno dos patamares vigentes e os frigoríficos de pequeno e médio porte, com maior necessidade de completar escala, ofertam preços ligeiramente acima das referências.  No entanto, diz a Scot, esses negócios, porém, são pontuais.

Pressão baixista ganha força 

Pelos números da Agrifatto, 6 das 17 praças monitoradas registraram desvalorização na terça-feira (25/8):  SP, MG, MT, PA, PR e SC. 

“O movimento de baixa foi favorecido pelo fraco escoamento da carne bovina no mercado interno e pela desaceleração das exportações”, justifica a consultoria. 

Portanto, com a demanda enfraquecida, os frigoríficos brasileiros ampliaram a pressão sobre a arroba, testando preços menores em diferentes regiões. 

Porém, relata a Agrifatto, as propostas abaixo das referências vigentes tiveram aceitação apenas parcial. 

“A oferta restrita de animais terminados e a administração das vendas pelos pecuaristas continuam limitando os recuos, com as escalas em torno de sete abates, na média nacional”, ressaltam os analistas. 

China saiu de cena

No mercado externo, o esgotamento da cota chinesa de 2026 (ainda não divulgado oficialmente pelo governo de Pequim, embora o mercado exportador já trabalhe com essa hipótese), contribuiu para reduzir o ritmo dos embarques brasileiros e reforçar a cautela das indústrias. 

Porém, diz a Agrifatto, em contrapartida, começa a entrar no radar a possibilidade de antecipação das compras destinadas ao abastecimento do mercado de carne bovina da China a partir de 2027, “fator que poderá voltar a estimular a procura por animais habilitados para exportação”

Mercado futuro

Os contratos do boi gordo seguem negociados acima das referências do físico, indicando expectativa de maior sustentação da arroba durante a entressafra. 

Na sessão de terça-feira (25/8), porém, os contratos do boi  encerraram em leve baixa pelo segundo dia consecutivo. 

O papel com vencimento em agosto/26 fechou cotado a R$ 343,85/@, com ligeira retração de 0,30% em relação ao fechamento anterior.