Preços do milho recuam no Brasil com oferta elevada e queda das cotações internacionais
Segundo o Cepea, desvalorização do dólar e redução dos preços externos pressionam o mercado interno; produtores flexibilizam negociações diante do risco de novas baixas
Os preços do milho continuam em queda no mercado brasileiro, pressionados pela elevada disponibilidade do cereal e pelo recuo das cotações internacionais. Segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a desvalorização do dólar também contribui para reduzir a paridade de exportação e enfraquecer os preços praticados no país.
A combinação desses fatores tem influenciado as negociações entre compradores e vendedores. Com a oferta elevada, compradores seguem cautelosos na realização de novos negócios, enquanto produtores demonstram maior flexibilidade para negociar os estoques disponíveis.
De acordo com pesquisadores do Cepea, parte dos vendedores busca antecipar a comercialização diante do receio de novas desvalorizações. A necessidade de formar caixa para custear as atividades também tem levado produtores a aceitar condições de negociação mais flexíveis.
Perspectiva de oferta mantém compradores cautelosos
O ritmo da semeadura é outro fator acompanhado pelos agentes do mercado. Apesar do volume elevado de chuvas em regiões produtoras, os trabalhos de campo têm avançado de maneira satisfatória, segundo o Cepea.
Esse cenário mantém as expectativas favoráveis para a oferta de milho nos próximos meses, reduzindo a necessidade de compras antecipadas por parte dos consumidores do cereal.

Com a perspectiva de disponibilidade elevada, os compradores têm adotado uma postura de espera, acompanhando a evolução das lavouras e o comportamento dos preços antes de fechar novos contratos.
Dólar e mercado externo ampliam pressão
A queda das cotações internacionais também influencia o mercado brasileiro. Como o milho é negociado no comércio exterior em dólar, a desvalorização da moeda norte-americana, combinada com preços externos menores, reduz os valores de referência para exportação.
Segundo o Cepea, esse movimento tem pressionado especialmente as cotações nos portos brasileiros, onde as quedas foram mais intensas do que as observadas no mercado interno na última semana.
O recuo dos contratos futuros internacionais também contribuiu para diminuir a atratividade das vendas externas, ampliando a pressão sobre os preços domésticos.
Comercialização exige atenção dos produtores
A continuidade das baixas coloca os produtores diante de decisões sobre o momento de comercializar a produção. Enquanto parte dos vendedores busca realizar negócios para garantir recursos financeiros, compradores acompanham as expectativas de oferta antes de assumir novos compromissos.
O comportamento do câmbio, das cotações internacionais e do avanço da semeadura deverá continuar influenciando as negociações do cereal.
No Tocantins, onde o milho integra a produção agrícola e é utilizado na alimentação animal, essas movimentações do mercado nacional também são relevantes para produtores e compradores. O levantamento do Cepea, entretanto, não apresenta cotações específicas para o estado.











