Exportações do Tocantins ultrapassam R$ 13 bilhões em 2026, impulsionadas pela soja e carne bovina

Estado registra crescimento de 3% nas vendas internacionais até setembro e ocupa a 15ª posição no ranking nacional; custos logísticos e instabilidade climática desafiam o setor produtivo

Exportações do Tocantins ultrapassam R$ 13 bilhões em 2026, impulsionadas pela soja e carne bovina
ilustrativa

As exportações do Tocantins ultrapassaram R$ 13 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente pela soja e pela carne bovina, que juntas representam 73,2% do valor exportado pelo estado. Os dados foram divulgados pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto), com valores convertidos para reais pela cotação do dólar de sexta-feira (23).

A soja permanece na liderança da pauta exportadora tocantinense, respondendo por 56,6% do total comercializado com outros países. A carne bovina aparece em segundo lugar, com participação de 16,6%. O desempenho mantém o Tocantins na 15ª posição entre os estados brasileiros que mais exportam e na terceira colocação da região Norte, atrás apenas do Pará e de Rondônia.

As importações estaduais também cresceram no período, alcançando mais de R$ 1,5 bilhão, alta de 17,9% na comparação anual. No ranking nacional de importadores, o Tocantins ocupa a 22ª posição.

China concentra maior parte das exportações

A China continua sendo o principal destino dos produtos tocantinenses, concentrando mais da metade do valor exportado pelo estado nos nove primeiros meses de 2026. O país também lidera a origem das importações, com participação de 21,4%.

A demanda chinesa exerce influência direta sobre duas das principais cadeias produtivas do Tocantins. Na pecuária, o mercado asiático absorve volumes expressivos de carne bovina. Na agricultura, a comercialização de soja depende tanto das condições de produção quanto do comportamento dos compradores internacionais.

Segundo o diretor de pecuária da Motta Agropecuária, Thiago Amorim, o Tocantins já possui capacidade produtiva para atender diferentes mercados consumidores, incluindo China, Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Indonésia, por meio de unidades frigoríficas habilitadas.

O representante do setor também defende a ampliação do processamento da produção dentro do estado. A comercialização de carne embalada ou industrializada, em vez do envio de animais vivos para outras unidades da federação, é apontada como uma alternativa para agregar valor, estimular investimentos e fortalecer a cadeia pecuária tocantinense.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Tocantins ocupa a nona posição nacional na produção de carne bovina.

Produção de soja enfrenta incertezas climáticas

Apesar da liderança da soja nas exportações estaduais, o setor agrícola acompanha com cautela o desenvolvimento da safra 2026/27.

O vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja-TO), Thiago Facco, avalia que o estado vem ampliando sua área de cultivo em ritmo superior à média nacional, mas as condições climáticas podem limitar essa expansão em 2026.

Entre os principais fatores de preocupação estão a irregularidade das chuvas e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre o calendário agrícola e o desenvolvimento das lavouras.

Facco também destaca a importância da sustentabilidade na produção destinada ao mercado externo, considerando as exigências comerciais e ambientais dos países compradores.

A demanda internacional, especialmente de mercados asiáticos, permanece como um fator relevante para a comercialização da soja brasileira. Entretanto, a produtividade das lavouras e os custos de transporte continuarão influenciando a competitividade dos grãos produzidos no Tocantins.

Distância dos portos encarece o escoamento

Mesmo com o crescimento das exportações, a infraestrutura logística segue como um dos principais desafios para a competitividade dos produtos tocantinenses no mercado internacional.

Localizado na região do Matopiba, o Tocantins depende de estruturas de transporte e terminais portuários situados fora de seu território para encaminhar a produção ao exterior.

Segundo Thiago Facco, os custos logísticos reduzem a competitividade dos grãos tocantinenses em comparação com a produção de estados como Maranhão e Piauí, que possuem condições distintas de acesso aos portos.

A diferença interfere nos valores recebidos pelos produtores e amplia a importância de investimentos em rodovias, ferrovias, armazenagem e corredores de escoamento.

Porto Nacional lidera vendas internacionais

O levantamento divulgado pela Fieto também apresenta a participação dos municípios tocantinenses no comércio exterior.

Porto Nacional lidera as exportações estaduais, com 20,93% do total e mais de R$ 2,5 bilhões em vendas para outros países. Na sequência aparecem Santa Rosa do Tocantins (10,84%), Almas (8,77%), Campos Lindos (8,21%) e Araguaína (7,11%).

Palmas ocupa a sexta posição entre os maiores exportadores do estado, com mais de R$ 821 milhões comercializados internacionalmente, o equivalente a 6,62% das vendas externas tocantinenses.

Nas importações, a capital lidera o ranking, concentrando 29,77% do total. Palmeirante aparece em segundo lugar, com 26,95%, seguida de Miranorte (10,17%), Lagoa da Confusão (9,56%) e Gurupi (5,65%).

Os números mostram a concentração das exportações em municípios ligados às cadeias agropecuárias e reforçam o peso da produção rural na economia tocantinense. Embora as vendas externas tenham crescido em 2026, o desempenho nos próximos meses continuará condicionado à demanda internacional, às condições climáticas e aos custos de transporte.

Com informaçoes do g1 Tocantins.