MP de São Paulo processa Nutratta em R$ 10 milhões após morte de centenas de cavalos

Ministério Público pede indenização e acusa empresa de vender produto contaminado; caso provocou comoção no setor agropecuário

MP de São Paulo processa Nutratta em R$ 10 milhões após morte de centenas de cavalos
Ilustrativa

A morte de centenas de cavalos em diferentes regiões do país colocou a empresa Nutratta Nutrição Animal, fabricante de ração do interior de São Paulo, na alça de mira de uma investigação que agora ganhou novos desdobramentos judiciais.

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra a empresa, pedindo R$ 10 milhões em indenização por danos morais coletivos após a suspeita de contaminação em produtos destinados à alimentação animal.

Segundo a ação, protocolada na sexta-feira (22), o MP-SP aponta que a empresa teria comercializado lotes de ração contaminados com substâncias tóxicas em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.

O caso começou a ganhar repercussão nacional depois que criadores relataram mortes súbitas de cavalos em propriedades rurais de diferentes estados brasileiros.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que os animais apresentavam sintomas como apatia, perda de coordenação motora, dificuldade para se alimentar e rápida piora clínica antes das mortes.

Laudos laboratoriais preliminares apontaram a presença de substâncias incompatíveis com a formulação esperada da ração, como resíduos de soja contaminados com alcaloides pirrolizidínicos.

A promotoria afirma que houve falha no controle de qualidade e pede, além da indenização milionária, a suspensão definitiva da fabricação e comercialização dos produtos investigados até a conclusão completa das análises técnicas.

O MP também quer que a empresa seja responsabilizada pelos prejuízos causados aos criadores afetados.

Comoção nacional 

O episódio provocou forte reação no setor agropecuário, principalmente entre proprietários de haras, criadores e veterinários. Em redes sociais e grupos de WhatsApp, associações ligadas ao agronegócio e produtores relataram perdas financeiras expressivas e também impacto emocional, já que muitos dos animais mortos participavam de competições e atividades esportivas.

Os dados reunidos pelo Mapa apontam 238 mortes confirmadas de equídeos em diferentes estados do país. O número, no entanto, pode ser bem maior. Somente em um haras de Indaiatuba, no interior paulista, foram registradas 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos.

Outro caso de grande comoção ocorreu em Atalaia, em Alagoas, onde 79 animais morreram após consumir ração da empresa, segundo o Ministério Público.

Também houve relatos de mortes e adoecimento de animais em propriedades de Guarulhos, Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas.

De acordo com uma contagem extraoficial realizada pela reportagem do G1, 645 animais morreram de julho de 2025 até agora.

Outro lado

Em nota divulgada à imprensa, a Nutratta afirmou que continua colaborando com as autoridades e que mantém investigações internas para apurar as possíveis causas do problema. A empresa também declarou que está adotando medidas de rastreabilidade e revisão de processos industriais.

A expectativa agora é pela conclusão dos laudos definitivos e pelo andamento da ação judicial, que pode se tornar um dos maiores processos envolvendo alimentação animal já registrados no Brasil.