Com captação em alta, leite spot é pressionado enquanto importações e exportações avançam

Com o objetivo de atualizar os leitores sobre os principais movimentos do mercado lácteo, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, traz um panorama quinzenal com os acontecimentos mais relevantes de preços no setor.

Com captação em alta, leite spot é pressionado enquanto importações e exportações avançam
ilustrativa

Com o objetivo de atualizar os leitores sobre os principais movimentos do mercado lácteo, o MilkPoint, em parceria com o MilkPoint Mercado, traz um panorama quinzenal com os acontecimentos mais relevantes de preços no setor.

Leilão GDT: no 409º leilão, o GDT Price Index permaneceu praticamente estável (+0,1%), alcançando um valor médio de USD 3.778/tonelada. O dado aponta para uma acomodação nas cotações globais de lácteos após as oscilações dos leilões recentes, sinalizando maior equilíbrio entre a oferta e a demanda. Em volume, foram comercializadas 40.504 toneladas, uma alta de 50,6% frente ao evento anterior. O avanço nas negociações reflete a evolução sazonal da safra na Oceania, elevando a oferta de leite e derivados no comércio mundial.

Leite spot: as cotações do leite spot apresentaram recuo generalizado em todas as regiões monitoradas. Essa pressão de baixa foi impulsionada pela maior oferta vinda da captação no Sul. Por um lado, o comportamento do leite UHT ajudou a limitar perdas mais profundas; por outro, a perda de fôlego nas vendas de queijos selou a trajetória descendente. Nesse contexto, o indicador médio nacional fechou a primeira quinzena de agosto em R$3,072, registrando queda de R$0,144 na comparação mensal.

Balança comercial: o mês de julho registrou aumento na movimentação total das importações e exportações de lácteos. As compras externas alcançaram 230 milhões de litros em equivalente-leite, o segundo maior volume para um mês de julho em toda a série histórica, superado apenas pelo resultado de 2024. As vendas externas, por sua vez, somaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite. Como o avanço das importações foi mais expressivo, o saldo da balança comercial do setor voltou a encolher e registrou deterioração frente a junho, encerrando com um déficit de 224,9 milhões de litros em equivalente-leite.

Muçarela: o mercado encerrou mais uma semana em ritmo de desaceleração. A fraca procura pelo derivado não tem sido suficiente para enxugar a oferta disponível, cenário que sustenta a pressão desvalorizadora e força novos reajustes negativos. Minas Gerais registrou a maior variação com queda de R$0,7, chegando a R$35,9. Em seguida, São paulo registrou redução de R$0,4 (R$34,3); Paraná (R$34,0), Santa Catarina (R$33,4) e Rio Grande do Sul (R$32,5) indicaram queda de R$0,3; e Rio de Janeiro (R$36,5) e Goiás (R$36,2) com retração de R$0,2.

Leite em pó: o mercado operou de forma mista ao longo da semana, com pequenas variações entre as três categorias acompanhadas. O leite em pó integral (São Paulo registrando R$24,5, redução de R$0,2) e fracionado (São Paulo registrando R$29,9 com redução de R$0,1 e Nordeste com R$30,1 com aumento de R$0,1) registraram leve recuo nos preços, pressionados por uma oferta abundante e capaz de suprir com folga a demanda atual. Em contrapartida, o leite em pó desnatado apresentou uma liquidez mais aquecida, garantindo um ligeiro avanço de R$0,1 em suas cotações e encerrando o período em R$22.

Milho: ainda em um cenário de oferta elevada, os preços do milho apresentaram leve retração na quinzena. A média da saca fechou em R$65,03, com variação negativa de 0,3% em relação à quinzena anterior. Apesar da pressão exercida pela maior disponibilidade do grão, o bom ritmo das exportações brasileiras contribuiu para dar sustentação às cotações e limitar quedas mais expressivas.

Soja: em um cenário de estabilidade, a saca de soja apresentou poucas variações de preço ao longo da quinzena. Com a oferta equilibrada em relação à demanda no período, a cotação ficou em R$144,64 por saca, registrando leve variação negativa de 0,1% frente à quinzena anterior.

Oferta: a oferta de leite segue em movimento de crescimento em relação aos últimos meses, acompanhando a saída do período de entressafra e a recuperação sazonal da produção na região Sul do país. Ainda assim, os volumes permanecem próximos aos registrados no mesmo período do ano passado, indicando uma recomposição gradual da disponibilidade de matéria-prima.

Demanda: ainda em um cenário de desaceleração, a demanda se mostrou mais retraída na primeira quinzena de agosto, com os principais derivados, como leite UHT e muçarela, registrando novos recuos nas cotações. Esse movimento sinaliza um período de vendas mais travadas e menor volume de negociações.

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