China importa em set/26 o menor volume de carne bovina desde maio de 2020

Volume de compras chinesas do mês passado representou queda de 30,48porcento em relação ao resultado de ago/26 e um recuo de 52,37porcento sobre set/25, destaca a Agrfatto

China importa em set/26 o menor volume de carne bovina desde maio de 2020
ilustrativa

As importações chinesas de carne bovina somaram 152,12 mil toneladas em setembro/26, o menor volume mensal desde maio de 2020, destaca a Agrifatto, com base em números do governo chinês.

O desempenho de setembro/26 representou queda de 30,48% em relação ao volume de agosto/26 e um recuo de 52,37% sobre setembro de 2025.

No acumulado do ano, as compras chinesas de carne bovina atingiram 2,16 milhões de toneladas, um ligeiro aumento de 0,37% sobre igual peŕiodo de 2025. 

Cota brasileira

Segundo observa a Agrifatto, a cota de salvaguarda aplicada ao Brasil, de 1,1 milhão de toneladas, explica a maior parte das quedas recentes das importações da China.

Como a China conta a carne na chegada e a viagem leva de 40 a 45 dias, os exportadores brasileiros frearam os embarques de carne bovina in natura perto do limite da cota, visando escapar da alta tarifa de 55% cobrada após o preenchimento da cota (além da taxa de 12% já existente).

O Ministério do Comércio da China confirmou o preenchimento da cota brasileira em 29 de setembro/26, ou seja, desde 1º de outubro/26, a carne brasileira está sujeita a uma tarifa de 67% (12% mais a sobretaxa de 55%). 

Segundo destaca a Agrifatto, em setembro/26, a participação brasileira no mercado de importação de carne bovina da China atingiu apenas 32,9%, uma forte queda em relação à fatia registrada em setembro/25, de 53,5%. 

Porém, no acumulado de janeiro a setembro de 2026, o Brasil ainda responde por 55,2% do total de compras chinesas, contra 48,5% em igual período de 2025. 

Preços do boi sobem na China

Do lado chinês, observa a Agrifatto, a salvaguarda cumpre o papel de proteger a pecuária local. 

Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China (NBS), a carne bovina no atacado chegou a 74,76 iuanes/kg em agosto/26, 7,1% acima de um ano antes e o maior valor desde março de 2024. 

Por sua vez, o preço do boi vivo atingiu 30,01 iuanes/kg em agosto/26, o maior desde fevereiro de 2024. 

Argentina e Uruguai ocupam espaço 

Com preço interno firme e carne importada mais cara fora das cotas, a demanda chinesa tende a se concentrar nos fornecedores com cotas sobrando, diz a Agrifatto.

Segundo a consultoria, a carne bovina fornecida por exportadores da Argentina e do Uruguai ganhou espaço em setembro/26. 

No mês passado, a China importou 40,26 mil toneladas de carne bovina da Argentina, 12,42% a mais que em agosto/26.

Com isso, a participação da proteína argentina no mercado chinês subiu de 16,4%, em agosto/26, para 26,5%, em setembro/26. 

Já as compras chinesas de carne bovina do Uruguai cresceram 32,02% em setembro/26, para 21,44 mil toneladas, com participação no total de importações de 14,1% (ante 7,4% de agosto/26). 

O uso das cotas em outros países 

Até setembro/26, a Argentina usou 67,3% da sua cota de 511 mil toneladas e ainda tem 167,2 mil toneladas com tarifa de 12%, informa a Agrifatto. 

Por sua vez, o Uruguai utilizou 51,0% de sua cota, restando 158,8 mil toneladas ainda livres.

Cota de 2027 vem aí

Para o Brasil, a retomada dos embarques de carne bovina para a China ganhará força antes de janeiro/27, quando passará a valer a próxima cota anual de salvaguarda.

Como a carne é contada na chegada, os embarques feitos a partir de meados de novembro/26 irão desembarcar na China somente em janeiro/27, ou seja, já dentro da nova cota de 1,128 milhão de toneladas, observa a Agrifatto. 

A tendência, prevê a consultoria, é de aceleração nos embarques brasileiros, visando o abastecimento do mercado no período que antecede o Ano Novo Chinês, em fevereiro/27.