O que esperar das exportações de carne bovina para a China em 2027?
Pedro Gonçalves, analista de mercado da Scot Consultoria, avalia as perspectivas para as vendas brasileiras no fim de 2026 e em 2027, diante das cotas e tarifas chinesas.
As exportações de carne bovina brasileira para a China devem continuar em volumes expressivos em 2027, mesmo diante das cotas de importação e das tarifas adicionais impostas pelo governo chinês.
A perspectiva é de que o país asiático permaneça como um dos principais destinos da proteína brasileira, sustentado pela forte demanda interna e pela dependência das importações.
A avaliação é de Pedro Gonçalves, engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria, durante o quadro “Conversa com o Analista”, do programa Terraviva DBO na TV, da última terça-feira (20/10).
Cotas e tarifas da China sobre a carne bovina
Segundo Gonçalves, as medidas adotadas pela China buscam proteger os produtores locais da concorrência com a carne bovina importada, especialmente a brasileira, que apresenta preços mais competitivos.
O mecanismo estabelece limites de volume para os principais fornecedores e uma tarifa adicional de 55% sobre as importações que ultrapassarem as cotas.
Apesar de produzir entre 8 milhões e 9 milhões de toneladas de carne bovina, a China ainda depende das compras externas para atender ao consumo doméstico.
“A demanda por parte dos chineses está crescente, eles dependem praticamente de 50% de importação e 50% desse volume vem justamente do Brasil, que tem uma carne bastante acessível”, explica o analista.
Exportações brasileiras de carne bovina em 2027
Mesmo com as medidas previstas para vigorar por três anos, Gonçalves acredita que a demanda chinesa continuará sustentando as exportações brasileiras. “Nós devemos ver, sim, uma China ainda compradora, mesmo que pagando mais pela carne bovina”, afirma.

Para o analista, a necessidade de abastecimento e o risco de aumento dos preços ao consumidor limitam a capacidade da China de reduzir significativamente suas importações.
Além disso, o volume previsto nas cotas brasileiras representa uma margem maior de comercialização em relação a 2026.
“Por aqui, nós devemos continuar com os bons volumes de exportação, tanto que, para esse final de ano, a gente ainda está com uma expectativa muito boa de compra por parte dos chineses. Isso deve se estender”, destaca Gonçalves, reforçando a perspectiva de manutenção da parceria comercial entre Brasil e China no médio e longo prazo.
Assista à análise completa a partir do minuto 3:52.











