Disputa entre indústrias e exportadores eleva preços do arroz no RS
Oferta restrita e demanda internacional aquecida intensificam concorrência pela matéria-prima, enquanto produtores seguram as vendas à espera de novas valorizações
Os preços do arroz em casca seguem firmes no Rio Grande do Sul, impulsionados pela disputa entre as indústrias brasileiras e os compradores internacionais. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta restrita e a necessidade de recomposição dos estoques industriais têm levado compradores a elevar os valores oferecidos aos produtores.
Apesar de um ligeiro aumento da presença de vendedores no mercado nos últimos dias, a disponibilidade do cereal continua limitada. Produtores mais capitalizados permanecem retraídos, à espera de novas valorizações, enquanto aqueles com necessidade de caixa intensificaram as negociações, inclusive para financiar o preparo do solo para a safra 2026/27.
Do lado comprador, algumas indústrias voltaram a atuar com maior intensidade no mercado. Empresas que anteriormente priorizavam a aquisição de arroz já armazenado em suas próprias estruturas passaram a buscar novos lotes para recompor os estoques.
Diante da resistência dos produtores em aceitar as ofertas vigentes, parte dos compradores precisou reajustar os preços para garantir o abastecimento.
Exportações ampliam disputa pelo arroz brasileiro
De acordo com o Cepea, a concorrência pela matéria-prima é mais intensa nas regiões próximas ao Porto do Rio Grande, onde a demanda internacional continua aquecida.

A baixa disponibilidade de arroz com rendimento inferior a 57% de grãos inteiros, geralmente destinado à exportação, levou compradores do mercado externo a disputar também lotes com rendimento de 58%.
Com isso, os exportadores passaram a concorrer diretamente com as indústrias brasileiras por uma parcela maior da oferta disponível, intensificando a pressão sobre os preços.
Segundo os pesquisadores, esse movimento provocou uma valorização mais acentuada dos lotes com rendimento de 58% em comparação com aqueles de rendimento mais elevado.
A combinação entre oferta limitada, necessidade de abastecimento das indústrias e demanda externa mantém o mercado gaúcho aquecido, com produtores atentos às oportunidades de comercialização.












