Pressão por armazenagem abre espaço para galpões flexíveis

Baixa oferta de áreas prontas acelera procura por estruturas temporárias em portos, indústrias e agronegócio

Pressão por armazenagem abre espaço para galpões flexíveis
ilustrativa

Foto: Divugação

A combinação entre baixa disponibilidade de galpões logísticos, sazonalidade das cadeias produtivas e demora na construção de instalações permanentes começa a ampliar o uso de estruturas flexíveis no Brasil. Montados em poucas semanas, os galpões de lona e aço são utilizados para absorver picos de estoque, sustentar expansões industriais e atender operações que ainda aguardam uma solução definitiva.

O momento do mercado é de níveis elevados de ocupação. A taxa de vacância dos condomínios logísticos de alto padrão caiu para 6,5% no primeiro trimestre de 2026, a menor da série histórica da JLL. Dos novos espaços entregues no período, 77% já chegaram ao mercado pré-locados.

Embora pertençam a segmentos diferentes, os indicadores ajudam a explicar a procura por alternativas que possam ser implantadas sem o prazo de uma construção convencional. Enquanto os condomínios de alto padrão atendem operações permanentes de distribuição, os galpões flexíveis entram principalmente como capacidade complementar ou temporária.

Estruturas atendem picos operacionais

A aplicação varia conforme a cadeia produtiva. Em portos e áreas retroportuárias, as estruturas podem armazenar fertilizantes, componentes importados e insumos que aguardam liberação ou transferência. Na indústria, são utilizadas para manter matérias-primas, peças e produtos acabados durante ampliações de fábrica ou oscilações da produção.

No agronegócio, ajudam a acomodar fertilizantes, açúcar, café, sementes e máquinas em períodos de maior movimentação. A capacidade brasileira de armazenagem agrícola chegou a 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025, crescimento de 1,1% em relação aos seis meses anteriores, segundo o IBGE.

O dado não pode ser comparado diretamente ao volume anual da safra, porque os armazéns podem receber diferentes lotes ao longo do ano. Ainda assim, a concentração das colheitas e a distribuição desigual da infraestrutura geram pressões sazonais em regiões produtoras, corredores de exportação e terminais portuários.

A Tópico, fabricante e locadora de estruturas flexíveis, informa manter entre 150 mil e 200 mil metros quadrados em estoque para pronto atendimento. O intervalo entre a contratação e o início da obra varia de três a 15 dias, enquanto a montagem pode ser concluída em até 30 dias, dependendo das dimensões e das exigências do projeto.

“A estrutura passou a ser considerada desde o planejamento da operação, e não apenas em situações emergenciais”, afirma Sergio Gallucci, diretor comercial e de marketing da empresa.

Solução não substitui toda infraestrutura

Os galpões flexíveis são formados por estruturas metálicas com fechamento em lona ou aço. Podem ser ampliados, reduzidos ou transferidos para outro local, característica que permite acompanhar contratos temporários ou mudanças no volume armazenado.

A flexibilidade, porém, não elimina a necessidade de preparação do terreno, licenciamento, sistemas de prevenção de incêndios e adequação às características da carga. Produtos perigosos, alimentos, medicamentos e materiais sujeitos a controle aduaneiro exigem requisitos específicos de segurança, temperatura, ventilação ou fiscalização.

Também não se trata de uma substituição automática para centros de distribuição permanentes. Operações intensivas, com grande movimentação diária, automação, elevado número de docas ou necessidade de pisos especiais podem continuar dependendo de construções convencionais ou projetos sob medida.

O mercado brasileiro ainda não possui uma base pública consolidada que mostre quanto a área instalada de galpões flexíveis cresce a cada ano. Os números disponíveis são fornecidos principalmente pelas próprias fabricantes, o que limita comparações entre empresas e regiões.

3 milhões de m² instalados

A Tópico informa possuir mais de 3 milhões de metros quadrados de estruturas instaladas simultaneamente no país e atender mais de 500 clientes dos segmentos de agronegócio, mineração, petroquímica, varejo, indústria e logística.

Cerca de 30% de sua base instalada estava ligada ao agronegócio em 2025. Naquele ano, a companhia investiu aproximadamente R$ 50 milhões na expansão da capacidade, modernização operacional e tecnologia.

A empresa afirma deter mais de 50% do mercado nacional de estruturas flexíveis. A participação, porém, não foi confirmada por levantamento setorial independente.

Controlada pelo fundo de investimentos Southern Cross Group, a Tópico mantém fábrica e centro de distribuição em Embu das Artes (SP), além de filiais em Belo Horizonte (MG) e Parauapebas (PA). A companhia possui 460 funcionários diretos.

A tendência de ocupação dos galpões convencionais continuará sendo um dos fatores que podem sustentar a procura por soluções complementares. Para 2026, a JLL previa a entrega de 3 milhões de metros quadrados de novos condomínios logísticos, dos quais 35% já estavam pré-locados no início do ano.

O avanço das estruturas flexíveis dependerá, contudo, de um equilíbrio entre rapidez e custo. A montagem mais curta resolve necessidades imediatas, mas a escolha entre alugar uma instalação temporária ou construir um ativo permanente varia conforme o tempo de uso, as exigências da carga e a previsibilidade da operação.

Agência Transporte Moderno