Exportações de algodão podem ter problemas logísticos em 2018

Fluxo das exportações pode esbarrar na lotação dos navios. Para diretor da Maersk Line, planejamento é fundamental

As exportações de algodão surpreenderam no último trimestre de 2017 e devem continuar fortes em 2018, segundo a Maersk Line, empresa de logística marítima. O aumento da demanda internacional e da produção brasileira contribuíram para esse cenário. “Acreditamos em um crescimento de vendas não só para a Ásia, mas também para a Europa. Nossa projeção é de uma alta de 10% a 15% tanto para a produção quanto para a exportação”, afirma Nestor Amador, diretor comercial da Maersk Line para a Costa Leste da América do Sul.

Essa alta vai demandar planejamento dos exportadores, já que o comportamento de escoamento da pluma mudou nos últimos anos. “O que vemos nesse ano é que as exportações ficaram mais espalhadas por causa da demanda. Até a safra 2015/2016, praticamente tudo era exportado até janeiro do ano seguinte. Já em 2018 deve chegar até abril”, diz o diretor comercial.

As exportações da segunda safra de 2017/2018 também devem manter esse novo padrão, com embarques expressivos até o primeiro trimestre de 2019. E, com os navios lotados, encontrar espaço para os embarques nessa época pode ser um desafio maior do que no passado. “Antes, se um cliente queria exportar 300 contêineres em uma semana, conseguia. Hoje, precisa de programação maior. Acreditamos que vai ter espaço para toda a exportação, mas, principalmente, para aqueles que se planejarem e focarem mais no longo prazo”, explica João Momesso, diretor de trade e marketing da empresa para a Costa Leste da América do Sul.

No mercado geral, a empresa projeta um aumento de 1,3% a 1,5% nas exportações. As eleições são fator de incerteza e podem causar oscilações no câmbio, mas a previsão interna é de um ano calmo para as vendas externas.

Carnes – As exportações de carnes também foram destaque no relatório trimestral da empresa e cresceram 50% nos últimos três meses de 2017 em relação ao mesmo período de 2016. E a tendência deve se manter em 2018, com o aumento de demanda da Ásia, principalmente da China, graças a um poder de compra maior da população. O desafio está no retorno dos contêineres refrigerados (chamados de ‘reefer’) para o país. Como a importação brasileira de carga refrigerada é muito baixa, normalmente eles voltam vazios. E, como o forte da viagem é trazer os produtos da China, o navio vem lotado e não há espaço para os ‘reefers’ vazios. “A dificuldade do mercado é encontrar um equilíbrio para que esse fluxo faça sentido do ponto de vista financeiro”, afirma Momesso. Segundo o executivo, em um mercado aquecido, essa dificuldade de trazer os contêineres refrigerados pode encarecer as exportações.

Planejamento – Independente da carga, um planejamento de exportações pode fazer a diferença na hora de garantir um espaço no navio e também nos preços. “Na navegação, há um impacto global nas operações, você compete por contêineres com o mundo todo. Os armadores vão direcioná-los para o mercado que faz mais sentido”, explica Momesso. Esse é um dos motivos para a falta de contêineres nesse mesmo período do ano passado. E, em abril, um problema similar pode acontecer, de acordo com o diretor de trade e marketing. “Por tudo que ouço no mercado, acho que se não tivermos falta, teremos pelo menos um embarque spot (quando não há contrato longo, mas por carga) muito apertado em questão de contêineres”.

Para se programar melhor e minimizar esses problemas, a empresa tem buscado contratos de longo prazo com os clientes. “Em vez de vender um a um, vamos pensar no longo prazo. Muitas cargas refrigeradas já são negociadas assim. E isso é positivo para ambos os lados. O cliente ganha mais estabilidade na exportação e nos preços e nós na programação das cargas, com segurança de que teremos movimento nas épocas mais fracas”.

Pecém – Em 2018, a Maersk Line inaugura uma nova rota (AC5), que conecta Ásia, Colômbia, passa pelo Canal do Panamá e o Porto do Pecém, no Ceará, reduzindo o tempo de trânsito das cargas. A parada no terminal brasileiro surgiu da demanda de produtores de frutas, que veem um mercado em potencial na Ásia, mas que era difícil de ser atendido pela distância. Mas a medida também pode beneficiar frigoríficos do norte do país, que ganham uma nova saída. O primeiro navio da rota parte da Ásia no começo de abril e faz escala em Pecém em maio. Depois de parar no porto brasileiro, ele segue rumo ao continente asiático, contornando a África.

Fonte: Portal DBO

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